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Mara Gabrilli fala à Revista Veja.
Quarta-feira, 24 de Março de 2004 às 08:00

 

 

 

Quando é bom sentir dor
Por Anna Paula Buchalla e Karina Pastore

Mara na fisioterapia

Há nove anos, a psicóloga e publicitária Mara Gabrilli, de 36 anos, envolveu-se num acidente gravíssimo de carro. Ela fraturou a colula cervical e ficou tetraplégica. Vários nervos que controlam órgãos vitais foram afetados. Mara perdeu todos os movimentos do pescoço para baixo e passou dois meses num repirador artificial.

Foram duros anos de reabilitação. Mara fez o que pôde para se adaptar à vida numa cadeira de rodas.
Em 1997, ela fundou a ONG Projeto

Próximo Passo, que trabalha para melhorar o cotidiano do deficiente físico. "Nunca abandonei o otimismo", conta. Quando ouviu falar que um grupo de pesquisadores brasileiros estudava a injeção de células-tronco para a recuperação de lesões medulares, como paraplegia e tetraplegia, Mara não titubeou em aderir ao projeto. Em pesquisas internacionais com animais, o implante de células-tronco na medula espinhal foi capaz de fazê-los voltar a andar. O estudo desenvolvido pelo Hospital das Clínicas, de São Paulo, e coordenado pelo professor Tarcísio Pessoa de Barros Filho procura repor as células da medula lesada.

Elas são extraídas, filtradas em laboratório e reinjetadas no local da lesão.

Dos trinta pacientes que receberamo implante, dezoito apresentaram resposta positiva ao exame de potencial elétrico evocado, que mede a freqüencia dos impulsos dos membros para o cérebro.

"Senti um aumento, ainda que pequeno, da sensibilidade à dor", conta Mara. "Nunca estive tão otimista".

 



Fonte: Revista Veja
Edição 1.846 - ano 37 - n°12 pág.87

 

 

 

 

 

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